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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
erétil projeto
Deveras torto se me encobrem as vestes, roupagem rasa essa penugem que me erica a alvura das coxas. Se me tenho nú e colérico retorno a sanha desgarrada de meu potente galope risco. Gozo o estar presente e dissuadido das querências voltejantes dessa bodega, onde os tesos músculos escondem a violenta pulsação que o jeans amarra. Quero o entorno, anseio a rasura, arrebento os botões dessa couraça-peito, e coro a latência absorta de um gole a mais, um gozo a mais, um jeans a menos.
O fundo do copo é gasto, o boca do morto é quente, mas a minha própria carne falta um ato potente, um sonho presente de uivos e bestas, um desconto pressa ruidosa gravura que se me encobre o sono. É isso então o sono, uma gravura esboço, uma lasca, um projétil estilhaçado de minha rotina arrastada?
De certeza as árvores não sentem mais, não coram mais, não sonham o estar aqui de pau duro na luz diagonalizada que esse sol madrugado insiste em mostrar.
O fundo do copo é gasto, o boca do morto é quente, mas a minha própria carne falta um ato potente, um sonho presente de uivos e bestas, um desconto pressa ruidosa gravura que se me encobre o sono. É isso então o sono, uma gravura esboço, uma lasca, um projétil estilhaçado de minha rotina arrastada?
De certeza as árvores não sentem mais, não coram mais, não sonham o estar aqui de pau duro na luz diagonalizada que esse sol madrugado insiste em mostrar.
domingo, 24 de janeiro de 2010
o que me acompanha?
Absorto e tolo equaciono a chegada como quem desconhece o cálculo da partida. Ando, eu sei que ando. Mesmo que por horas dance e alhures me desenvolva em ritmo indefinido, sei que me movo. Eles todos, e ainda outros que não vieram são todos movimento, e desde o eterno ontem que não reconheço a ossatura angulosa do crânio pendente a boca aberta. Movem-me.
A boca um fosso aberto a todo e qualquer delgado húmus, rosso e largo se me tomam a língua sou todo crível porém indecifrável.
Que concha tosca se me encobre? que jorro grosso visgo se me cobre a ternura do corpo?
Não suo apenas quando me banho, e me encharca o ventre as caudalosas vias da noite por onde deambulo rouco de clamar calor. Que se me evaporassem os líquidos todos, não salda nem a salinidade dos ossos.
Parco, diluído, o entorno torna a agir sobre esse copo/corpo.
Pois se me arrancam as pernas continuo andando.
A boca um fosso aberto a todo e qualquer delgado húmus, rosso e largo se me tomam a língua sou todo crível porém indecifrável.
Que concha tosca se me encobre? que jorro grosso visgo se me cobre a ternura do corpo?
Não suo apenas quando me banho, e me encharca o ventre as caudalosas vias da noite por onde deambulo rouco de clamar calor. Que se me evaporassem os líquidos todos, não salda nem a salinidade dos ossos.
Parco, diluído, o entorno torna a agir sobre esse copo/corpo.
Pois se me arrancam as pernas continuo andando.
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